Artista Visual

Suas imagens interpretam afetos da natureza e do ser humano.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Mandalas

Mandalas by Ruth Albernaz, feitura: papel de fibra de bananeira e pigmento de rocha da chapada dos Guimarães.


     Mandala (मण्डल) é a palavra sânscrita que significa círculo, uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o cosmo. De fato, toda mandala é a exposição plástica e visual do retorno à unidade pela delimitação de um espaço sagrado e atualização de um tempo divino.


      Nas sociedades primitivas, o ciclo cósmico, que tinha a imagem de uma trajetória circular (circunferência), era identificado como o ano. O simbolismo da santidade e eternidade do templo aparece claramente na estrutura mandálica dos santuários de todas as épocas e civilizações. Uma vez que o plano arquitetônico do templo é obra dos deuses e se encontra no centro muito próximo deles, esse lugar sagrado está livre de toda corrupção terrestre. Daí a associação dos templos às montanhas cósmicas e a função que elas exercem de ligação entre a Terra e o Céu. Como exemplo, temos a enorme construção do templo de Borobudur, em Java, na Indonésia. Outros exemplos que podemos citar são as basílicas e catedrais cristãs da Igreja primitiva, concebidas como imitação da de Jerusalém Celeste, representando uma imagem ordenada do cosmos, do mundo.

     A mandala como simbolismo do centro do mundo dá forma não apenas as cidades, aos templos e aos palácios reais, mas também a mais modesta habitação humana. A morada das populações primitivas é comumente edificada a partir de um poste central e coloca seus habitantes em contato com os três níveis da existência: inferior, médio e superior. A habitação para ele não é apenas um abrigo, mas a criação do mundo que ele, imitando os gestos divinos, deve manter e renovar. Assim, a mandala representa para o homem o seu abrigo interior onde se permite um reencontro com Deus. Um exemplo bem típico brasileiro de mandala, a partir da arquitetura, é a planta superior da Catedral de Brasília.


Em termos de artes plásticas, a mandala apresenta sempre grande profusão de cores e representa um objeto ou figura que ajuda na concentração para se atingir outros níveis de contemplação. Há toda uma simbologia envolvida e uma grande variedade de desenhos de acordo com a origem.


Originalmente criadas em giz, as mandalas são um espaço sagrado de meditação. Atualmente são feitas com areia originárias da Índia. Normalmente divididas em quatro secções, pretende ser um exercício de meditação e contemplação. O objetivo da arte na cultura budista tibetana é reforçar as Quatro Nobres Verdades. As mandalas são consideradas importantíssimas para a preparação de iniciadores ao Budismo, de forma a prepará-los para o estudo do significado da iluminação.

O processo de construção de uma mandala é uma forma de meditação constante. É um processo bastante lento, com movimentos meticulosos. O grande benefício para os que meditam a partir da mandala reside no fato de que a imaginaram mentalmente construída numa detalhada estrutura tridimensional.


No processo da construção de uma madala, a arte transforma-se numa cerimônia religiosa e a religião transforma-se em arte. Quando a mandala está terminada, apresenta-se como uma construção extremamente colorida. Depois do ciclo é desmanchada, a areia é depositada, geralmente, na água. Apenas uma parte é guardada e oferecida aos participantes.


Um monge inicia a destruição desenhando linhas circulares com seu dedo, depois espalham a areia e a colocam em uma urna. Quando a areia é toda recolhida, eles apagam as linhas que serviram de guia à construção e despejam a areia nas aguas do rio.


Fonte: Portal da arte

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Caixas de fibra de bananeira - sugestão do dia


Manoel de Barros

Soberania
Manoel de Barros

Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que

tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo

do vento escorregava muito e eu não consegui

pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso

carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos

deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado

e disse que eu tivera um vareio da imaginação.

Mas que esses vareios acabariam com os estudos.

E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li

alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.

E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria

das idéias e da razão pura. Especulei filósofos

e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande

saber. Achei que os eruditos nas suas altas

abstrações se esqueciam das coisas simples da

terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo

— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:

A imaginação é mais importante do que o saber.

Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei

um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu

olho começou a ver de novo as pobres coisas do

chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E

meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam

o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no

corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas

podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as

próprias asas. E vi que o homem não tem soberania

nem pra ser um bentevi.



Texto extraído do livro (caixinha) "Memórias Inventadas - A Terceira Infância", Editora Planeta - São Paulo, 2008, tomo X, com iluminuras de Martha Barros.




Multidão de Borboletas no Rio Teles Pires, Amazônia. Foto: Ruth Albernaz, 2009.


Inspiração do dia - cores e texturas da fauna

Elefante
(Bioma Savana Africana)
Cerrado